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PARA ONDE VAI A EDUCAÇÃO?

Jean Piaget

 

“Afirmar o direito da pessoa humana à educação é assumir uma responsabilidade muito mais pesada do que assegurar a cada um a capacidade de ler, escrever e contar. É garantir a toda criança o inteiro desenvolvimento de suas funções mentais e a aquisição de conhecimentos e valores morais correspondentes ao exercício de suas funções, até adaptação à vida social atual”.

Essa obra de Jean Piaget trata de compreender a forma como a criança adquire o conhecimento lógico-matemático.  Piaget lecionou nas Universidades de Genebra e de Paris. Preocupava-se com vários temas voltados ao ensino das Ciências, inclusive o da gratuidade do ensino e de uma educação voltada para o pleno desenvolvimento da personalidade humana, levando em consideração a diversidade dos povos. Essa obra está dividida em duas partes.. A primeira parte é uma retrospectiva da educação, que tem a finalidade de mostrar a necessidade da transformação no modo de ensinar, a partir da compreensão da forma lógica de aprender dos alunos.


 “Qualitativo e quantitativo”


Piaget demonstra as diferenças individuais de aptidão do aluno para determinados saberes, enfatizando que o fracasso escolar está muito mais ligado à rápida passagem que os professores fazem do aspecto qualitativo (lógico) para o quantitativo (numérico). Ele mostra que a prática do ensino deveria utilizar o método ativo, por meio do qual a criança vai reconstruir e reinventar, não somente transmitir informações ao aluno. Portanto, o professor não deve se limitar ao conteúdo específico de sua disciplina, mas deve conhecer como ocorre o desenvolvimento psicológico da inteligência humana.


Experimentação:


O problema geral da Educação está focado na formação dos professores, que é o aspecto de real mudança em qualquer reforma pedagógica.
Na segunda parte, ele aborda a questão dos direitos expressos na “Declaração Universal dos Direitos do Homem”, em que lhe é assegurado o pleno direito à educação e na qual os pais podem escolher o tipo de educação que desejam para seus filhos. Piaget advoga que esse direito não se restringe ao "pleno direito à educação" mas que esta seja uma educação de qualidade e voltada para o pleno desenvolvimento da personalidade humana, levando em consideração a paz entre as várias nações. Para o desenvolvimento do ser humano é preciso atentar para os dois fatores que o condicionam: os fatores da hereditariedade e adaptação biológicas, e os fatores de transmissão ou de interação sociais. O autor ressalta a diferença entre as sociedades humanas e as sociedades animais, sendo que as principais condições sociais humanas são as técnicas de produção e a linguagem, que possibilita gerar os costumes e as regras. A concepção de que a lógica do conhecimento seria inata no indivíduo foi quebrada com as pesquisas piagetianas, cujos resultados apontaram que essa lógica se constrói na interação do sujeito com o meio, como um processo de desenvolvimento natural. Assim, a educação passa a ser vista como fundamental para a formação do desenvolvimento natural do indivíduo.


O autor reflete sobre como a criança, até seus sete anos, e conforme sua nacionalidade, tem como responsável pela sua educação a família e não a escola. Com isso, o autor quer nos lembrar que a família não deve ter somente o papel formador e a escola o papel de informar o aluno, mas que a escola, que também é responsável em educar, não fosse separada da vida.


Discutindo o direito à educação, de acordo com o autor, na página 36,
"... é preciso não se deixar iludir: tal situação de direito não poderia ainda corresponder a uma aplicação universal da lei, já que o número de escolas e de professores permanece insuficiente relativamente à população em idade escolar...".


Piaget vem mostrar que o direito por si só não é o bastante, e que a gratuidade somente do ensino de primeiro grau, com um olhar de justiça social, não passa de uma mera afirmação social. Entretanto, para ele, não basta ampliar o ensino de primeiro grau e implantar o segundo com caráter gratuito, mas é preciso também implementar uma relação aluno/escola/aprendizagem, em que haja tarefas que levem o aluno a compreender e participar ativamente da vida social.


Com relação aos pais, o autor reflete sobre como a família vem perdendo seu poder de escolha e controle para o Estado; há famílias constituídas por bons pais e outros nem tanto. Ao lidar com os pais, principalmente quando da aplicação dos métodos ativos, deve-se levar em consideração que é mais fácil a estes compreenderem os métodos antigos do que uma nova proposta.


A educação não deve se prestar a moldar o aluno de acordo com um modelo condizente com as gerações anteriores, mas em formar-lhe a personalidade.


A respeito da educação moral, unicamente a vida social entre os próprios alunos, isto é, um autogoverno levado tão longe quanto possível e paralelo ao trabalho intelectual em comum, poderá conduzir a esse duplo desenvolvimento de personalidades, donas de si mesmas e de respeito mútuo.


Mostra ainda que a questão da educação internacional é muito delicada, pois deve levar em consideração as variadas culturas. O intercâmbio intercultural entre as sociedades faz-se principalmente pelo respeito aos diferentes grupos étnicos que a formam, de forma a conduzir a humanidade a uma paz mundial. Para isso é preciso levar em conta qual método deve ser aplicado para fazer de um indivíduo um bom cidadão. As ciências mostram o quão profundamente está enraizada a atitude egocêntrica no ser humano, e o quanto é difícil dela se desfazer, tanto pelo cérebro quanto pelo coração.


O pensamento de Piaget, expresso nesse livro, leva-nos a refletir sobre a forma como a escola e a sociedade vêm lidando com a educação dos indivíduos, na qual, muitas vezes, não se leva em consideração a forma como estes desenvolvem sua inteligência. Mais grave ainda é a formação dos professores, que não foram desenvolvidos dentro de um processo ativo. Como esse docente, assim formado, poderá ensinar seus alunos se ele mesmo não sabe como acontece a passagem do processo quantitativo para o qualitativo?


Esta obra é indicada para todos os profissionais da educação que buscam entender um pouco mais sobre como se desenvolve o pensamento humano e refletir sobre como se poderá agir dentro de um processo educacional voltado ao desenvolvimento pleno da pessoa e da sociedade.

Comentários
Jozielle Santos Nery disse em: 11/01/2011 - 22:56
Aprendizagem Ativa vs. Aula Expositiva *centralizada no aluno *Centralizada no professor *mudanças na estrutura do conhecimento * aprendizagem passiva/memorização *colabora com a aprendizagem independente *aprendizagem dependente *aula aberta, sala de aula descentralizada *sala de aula centralizada *conhecimento contextualizado *conhecimento fora de contexto *ambiente de pequenos grupos *ambiente competitivo individualista *diálogo entre os alunos *os alunos só ouvem o professor *o professor é o facilitator, criador de ambiente *o professor funciona como especialista figura cheia de autoridade *transformativa *tradicional
 
Jozielle Santos Nery disse em: 11/01/2011 - 22:56
Pelas mãos dos professores passam todos os demais profissionais, por isso é uma profissão que deveria ser valorizada. Para que a aprendizagem ocorra efetivamente, é preciso que o professor seja um profissional e para ser um verdadeiro profissional, é necessario ter autonomia, tempo disponivel para dedicar ao estudo e planejamento e um salário compativel com a sua função, além é claro, do aluno está receptivo à novas aprendizagens. Alem disso um professor tem que ser só professor, pois só dessa forma poderá dedicar-se totalmente a sua atividade profissional, com dedicação e responsabilidade. O Professor que trabalha em dois ou três períodos não tem tempo para preparar as aulas, nem mesmo tempo de estudar novas metodologias de ensino pois o tempo que tem está todo dedicado na exposição das aulas para os alunos e com isso torna impossível mudar os paradigmas da educação.
 
Nicole Mieko Takada disse em: 15/01/2011 - 01:51
Durante todo o livro, o autor, procura demonstrar como as mudanças ocorridas ao longo dos anos permitiu uma melhor educação para as crianças, com mais igualdade entre meninos e meninas, e das classes econômicas. Mas também faz um alerta que apesar disso, se esqueceu da valorização da profissão dos professores e isso é fato!!! Ocorre, um esforço no sentido de promover a diversificação do ensino e a universalização do ensino básico, mas é preciso se dar a atenção devia a carreira do professorado, a cada dia mais desmotivadora, afim de se alcançar de fato um ensino de Qualidade!!!
 
Jozielle Santos Nery disse em: 16/01/2011 - 13:43
Bons salários e um bom plano de carreira são indispensáveis para os professores, porém não bastam. É preciso que aspectos financeiros, administrativos e sociais aliados aos emocionais, éticos e estéticos sejam contemplados nas políticas educacionais como um todo para promover a tão esperada qualidade de ensino.
 
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